A pesquisa Ipsos/Ipec divulgada nesta segunda-feira mostra que a avaliação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva acumula mais menções negativas do que positivas em todos os quesitos examinados. O levantamento aponta um quadro disseminado de insatisfação que vai do controle das contas públicas à segurança, passando por áreas sociais e exterior.

O controle dos gastos públicos aparece como o ponto de maior rejeição: apenas 24% dos entrevistados avaliam essa atuação como ótima ou boa, enquanto 54% a consideram ruim ou péssima. O combate à inflação tem 25% de ótimo/boa e 51% de ruim/péssimo; índices semelhantes se repetem na avaliação da segurança pública. Educação e o enfrentamento da fome são os subcampos com os melhores números relativos, mas ainda assim concentram fatias relevantes de avaliação negativa (educação: 35% ótimo/boa e 41% ruim/péssimo; combate à fome e à pobreza: 34% ótimo/boa e 43% ruim/péssimo). No agregado, 33% veem o governo como ótimo ou bom, 43% como ruim ou péssimo e 23% o consideram regular.

O levantamento também traz sinais de oscilação: desemprego, meio ambiente e política externa registraram piora de cinco pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, de junho; já o tema do controle de gastos teve melhora de quatro pontos entre os que consideram a atuação positiva. A amostra incluiu 2.000 entrevistas presenciais em 130 municípios, realizadas entre 9 e 13 de setembro, com margem de erro de dois pontos e nível de confiança de 95%. Outros levantamentos recentes, como Atlas/Bloomberg e BTG/Nexus, registraram também níveis elevados de desaprovação, reforçando a tendência de dificuldade para a avaliação presidencial.

Para o Planalto, os números representam um problema político e prático. A fraca performance na área fiscal complica a narrativa de responsabilidade econômica que o governo tenta sustentar e acende alerta para a estratégia governista rumo a 2026: baixa aprovação em temas centrais tende a elevar o custo político de medidas fiscais e a pressionar a coalizão no Congresso. Em suma, o quadro revela desgaste que exige reação concreta, sobretudo na comunicação de resultados e na gestão das contas públicas, sob risco de ampliar a tensão entre prioridades econômicas e a agenda social do governo.