A terceira rodada da pesquisa Nexus-BTG registra uma recuperação gradual na avaliação do governo federal: a aprovação subiu para 47% enquanto a reprovação caiu para 48%, reduzindo o saldo negativo de seis pontos em março para apenas um ponto em maio. Na avaliação detalhada, 37% classificam a gestão como ótima/boa (alta de dois pontos), 22% veem como regular e 40% consideram ruim/péssima. O levantamento ouviu 2.045 eleitores por telefone entre 22 e 24 de maio; margem de erro de dois pontos (registro TSE BR-04193/2026).

O avanço na percepção do governo aparece associado a medidas de forte apelo popular, como o Desenrola 2.0 e o anúncio do fim da chamada “Taxa das Blusinhas”, que suavizaram a imagem administrativa no curto prazo. Ainda assim, a pesquisa expõe temas estruturais que continuam a dominar a agenda pública: segurança e violência (28% das citações espontâneas), saúde (27%), corrupção (25%) e educação (17%). Há também distinções claras entre eleitorados: para apoiadores de Lula, a saúde é prioridade; entre eleitores de Flávio Bolsonaro, corrupção e violência lideram as preocupações.

No campo econômico, o retrato é de percepção dividida. Quase metade (48%) avalia a situação do país como ruim ou péssima, embora o pessimismo sobre as finanças pessoais seja menor — 20% as consideram negativas, 45% regulares e 34% boas ou ótimas. O endividamento permanece elevado: 61% das famílias afirmam ter dívidas, e 24% estão com parcelas atrasadas há mais de um mês. As expectativas futuras são cautelosas: 39% preveem piora econômica no próximo semestre, contra 29% que esperam melhora.

No plano eleitoral, Lula figura com 47% em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que aparece com 43% — a maior vantagem do petista na série. Politicamente, o levantamento acende alerta para a oposição e reduz marginalmente a pressão sobre o governo, ao mesmo tempo em que evidencia fragilidades reais. A recuperação de curto prazo melhora o poder de negociação da base, mas a permanência de problemas estruturais e a percepção econômica dividida mantêm uma janela de vulnerabilidade que pode cobrar preço político se não houver avanços concretos nos próximos meses.