A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira (28/9), mostra empate técnico entre o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em eventual disputa de 2º turno: 42% a 42%. No levantamento estimulado para o 1º turno, Lula aparece à frente com 39% diante de 34% de Flávio. Cury e Caiado marcam 4% cada, Renan 3% e Zema 1%. O instituto aponta ainda 3% de indecisos e 13% que dizem não votar em nenhum dos nomes apresentados.
Os dados trazem sinais mistos para ambos os lados. Felipe Nunes, diretor da Quaest, destaca redução dos indecisos — de 10% para 5% nos últimos 15 dias — e queda do chamado "voto útil" (16% para 12%) como fatores que ajudaram Lula a iniciar a última semana do 1º turno em vantagem. A pesquisa também registra avanço do presidente entre mulheres, eleitores de baixa renda e beneficiários do Bolsa Família, grupo onde a reação ao pacote de medidas recentes parece ter efeito: a restrição às apostas recebeu 62% de aprovação, o reajuste do Bolsa Família 59% e a distribuição das chamadas "canetas emagrecedoras" no SUS 58% segundo o levantamento.
Ao mesmo tempo, Flávio Bolsonaro mantém estabilidade: o instituto registra que ele aparece com 42% nas últimas três rodadas, enquanto Lula oscilou positivamente dois pontos no mesmo período. Houve recuperação do presidente entre católicos e redução da vantagem de Flávio entre evangélicos — observação que vem com a ressalva de que o questionário já havia sido registrado no TSE antes da polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida nas redes.
Do ponto de vista político, o empate técnico no 2º turno acende alerta para os dois campos. A proximidade das intenções aumenta a importância da última semana de campanha e transforma medidas de curto prazo e gestão de narrativa em variáveis centrais. Para o governo, a pesquisa indica que anúncios recentes trouxeram reação positiva em segmentos decisivos, mas a vantagem ainda é curta e depende da conversão em votos efetivos. Para a oposição, a estabilidade de Flávio aponta para uma base consolidada e a necessidade de ampliar atratividade além do núcleo fiel. O levantamento, registrado no TSE sob BR-06520, foi contratado pela Editora Globo e pela Globo Comunicação e Participações, ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais e tem margem de erro máxima de cerca de dois pontos percentuais.