A pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira revela que 85% dos brasileiros querem retirar do presidente da República a prerrogativa de indicar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Apenas 7% rejeitam a proposta. O levantamento entrevistou 2.000 eleitores por telefone entre 15 e 19 de outubro de 2026, com margem de erro de 2 pontos percentuais e registro no TSE (BR-02952/2026).
O apoio à mudança é transversal: entre os que declaram voto em Flávio Bolsonaro (PL) 99% aderem à alteração, e entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o percentual é de 81%. Esse cruzamento indica que a demanda não é exclusiva de um campo político, o que dá força política à agenda de restrição da nomeação presidencial.
O resultado chega em momento sensível: o próximo chefe do Executivo terá de indicar pelo menos dois ministros, com Luiz Fux e Cármen Lúcia prestes à aposentadoria compulsória. A existência de amplo apoio popular cria um dilema institucional — qualquer tentativa de manter a prática sem consenso pode gerar custo político e alimentar argumentos por mudança constitucional. Alterar o modelo depende, contudo, de processo legislativo e de acordo no Congresso, o que envolve custo e negociação política.
Os números, que representam um retrato do momento e não uma previsão, colocam pressão sobre os atores institucionais. Para o Executivo, complicam a estratégia de indicação e reforçam a necessidade de construir legitimidade prévia para escolhas; para o Legislativo, abrem espaço para debate sobre eventual reforma. Em campanha ou governo, a questão deve aparecer como tema relevante nas negociações políticas dos próximos meses.