A poucos dias do primeiro turno, as pesquisas divulgadas neste sábado registram um quadro de incerteza: Datafolha e Quaest apontam empate técnico entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) quando se consideram os votos válidos, a métrica usada pela Justiça Eleitoral para definir o resultado. As duas sondagens têm margem de erro de cerca de dois pontos percentuais, e a CNT/MDA, com margem de 2,2 pontos, apresenta um cenário distinto — fato que reforça a variação entre institutos e aumenta a cautela na leitura dos números.
É preciso lembrar o que disseram as vésperas anteriores. Em 1º de outubro de 2022, Datafolha e Quaest mostraram Lula com 50% e 49% dos votos válidos, respectivamente; nas urnas, o desempenho final do petista ficou em 48,43%. Naquela disputa, as pesquisas indicaram vantagem confortável que acabou sendo reduzida no dia da votação; Jair Bolsonaro, que figurava com 36% e 38% nas sondagens, terminou com 43,20%. O recado é claro: levantamento é retrato do momento, não previsão imune a movimentos de última hora.
O exemplo de 2018 traz outra lição. Na véspera do primeiro turno, Datafolha e Ibope registraram Jair Bolsonaro com 40% e 41% dos votos válidos e Fernando Haddad com 25%; no dia seguinte, Bolsonaro cresceu para 46,03% e Haddad também subiu, reduzindo a distância realizada nas urnas. Tanto em 2018 quanto em 2022 as pesquisas acertaram a diferença relativa entre os principais competidores, mas subestimaram a mobilização final de eleitores — um elemento que pode voltar a pesar agora.
Do ponto de vista político, o empate técnico acende alerta para o governo ao mesmo tempo em que amplia oportunidade para a oposição consolidar um segundo turno. A dissociação entre institutos e a presença de indecisos e brancos — excluídos da conta de votos válidos — tornam a movimentação de eleitores e a capacidade de mobilização nos dias finais determinantes. Em termos práticos, os levantamentos obrigam campanhas a recalibrar estratégias: quem lidera busca consolidar base e comparecimento; quem está atrás precisa converter indecisos e aumentar intensidade de mobilização, ciente de que pesquisas são indicadores, não sentenças.