As campanhas de Lula (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) protocolaram nesta quinta-feira (22/10) uma petição conjunta no Tribunal Superior Eleitoral para que o ministro André Mendonça requisite a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de ambos os candidatos e determine a divulgação simultânea das informações em plataforma pública ainda hoje. O documento estabelece prazo até as 23h59 desta quinta para cumprimento das autorizações, com o objetivo explícito de tornar os dados acessíveis antes do segundo turno.

Segundo a peça apresentada, Lula autorizou a abertura dos seus sigilos pessoais, dos familiares indicados na petição, do Instituto Lula e da empresa LILS Palestras, Eventos e Publicações. A campanha de Flávio concordou com a divulgação dos sigilos do próprio senador, de familiares mencionados no pedido e de empresas das quais seja sócio ou administrador, incluindo menção a contas no Brasil e no exterior e a empresas como a Alcazar Holdings no Santander. O documento também inclui mensagens com o advogado Daniel Vorcaro, conforme o pedido de Flávio.

No TSE, o coordenador da campanha petista, Camilo Santana, afirmou que Lula assinou a autorização pessoalmente e defendeu que o eleitor tenha acesso às informações antes de votar. O PT pediu ainda a inclusão de dados relacionados a uma empresa ligada a William Tomás, tema que, segundo dirigentes, gerou ressalvas iniciais da parte de Flávio, mas acabou sendo acomodado nos termos finais. Edinho Silva ressaltou que o petista não impôs limitações à abertura dos próprios dados, enquanto Guilherme Boulos criticou a demora inicial do adversário em aceitar o desafio.

O movimento conjuga gesto de transparência e estratégia política e coloca o ministro André Mendonça e as autoridades responsáveis sob pressão por rapidez. Ao mesmo tempo, a efetiva disponibilização das informações depende de providências do Judiciário, do Ministério Público e do acesso aos registros solicitados — limites institucionais que podem postergar o que as campanhas tentam transformar em informação pública imediata. Em curto prazo, a petição acende alerta sobre o ritmo da tramitação e complica a narrativa de quem resistir à divulgação às vésperas da votação.