O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta quinta-feira (9/7) um telefonema de Gustavo Petro, que, segundo nota do Planalto, assegurou seu compromisso com “uma transição pacífica” e indicou que deixará o cargo em 6 de agosto. A iniciativa partiu do líder colombiano e ocorre entre as últimas ações de Petro à frente do Executivo, antes da posse do direitista Abelardo de La Espriella, eleito no final de junho com 49,65% dos votos ante 48,70% de Iván Cepeda.
O gesto de conciliação, no entanto, convive com contradição pública: Petro chegara a afirmar, em 6 de junho, que não reconheceria a legitimidade do vencedor e mencionou — sem provas apresentadas — a participação de uma empresa israelense e de grupos de lobby que teriam influenciado o processo eleitoral e a aproximação de La Espriella com o ex-presidente dos EUA, Donald Trump. A ligação a Lula tem, portanto, caráter também de contenção de danos institucionais e políticos diante do desgaste gerado pelas acusações.
No telefonema, ainda conforme o Planalto, os presidentes trataram de combate ao crime organizado e ao narcotráfico, de integração regional e da preservação da Amazônia, além de reiterarem compromissos multilaterais e participação em cúpulas como Celac. Fontes do governo brasileiro também veem com atenção a avaliação de que a interferência norte-americana no pleito colombiano pode reverberar no cenário eleitoral do Brasil, potencialmente beneficiando candidatos de oposição — risco que exige acompanhamento diplomático e eleitoral. A promessa de Petro reduz, por ora, o risco de choque institucional, mas não apaga o sinal de alerta sobre polarização regional e possíveis repercussões na campanha brasileira.