A Polícia Federal ampliou a investigação sobre supostas irregularidades envolvendo o advogado Willer Tomaz e passou a abranger o ex-governador do Rio de Janeiro Claudio Castro (PL) e o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). O inquérito, que corre no Supremo Tribunal Federal sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, apura indícios de lavagem de dinheiro e eventual uso de casas de apostas para dissimular a origem de recursos.

Segundo a PF, o caso soma elementos como mensagens encontradas no celular de Tomaz, movimentações bancárias, viagens, pagamentos e vínculos profissionais que apontariam relações próximas entre o advogado, agentes políticos e empresas do setor de apostas. Entre as empresas citadas estão a Rede Loto — credenciada pela Loterj para operar apostas online em maio de 2023 — e a Pixs/Riopag, que venceu licitação para operar pagamentos de plataformas autorizadas pela loteria estadual.

O material encaminhado ao STF também investiga possível vazamento de informações sobre processos no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Flávio Bolsonaro classificou as publicações como falsas; Tomaz e Claudio Castro negaram irregularidades. Castro afirmou conhecer o advogado desde 2020, disse tratar-se de amizade e declarou que foi assistido gratuitamente por Tomaz em alguns processos. Alexandre Ramagem, segundo a reportagem, não se manifestou.

O desdobramento eleva o risco político para lideranças do PL já que, se comprovadas, as conexões entre agentes públicos e empresas do mercado de apostas podem gerar custo político e administrativo para quem ocupou cargos estaduais. A apuração no STF acende alerta sobre a necessidade de esclarecimentos públicos e pode complicar a narrativa de governismo em torno de eventuais candidaturas ou lideranças do partido.