A Polícia Federal aponta que o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), recebeu vantagens econômicas indevidas no âmbito da 9ª fase da Operação Compliance Zero. Entre os benefícios relacionados pela investigação estão a aquisição de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,4 milhões, ingressos para shows internacionais, deslocamentos em aeronaves privadas e pagamentos da ordem de R$ 3,5 milhões a empresas ligadas ao seu núcleo familiar.
Segundo o inquérito, as vantagens teriam ocorrido em troca de atuação do senador em pautas de interesse do grupo econômico do então chamado Banco Master. Mensagens, registros de chamadas e trocas de informação indicam que Wagner acompanhou e participou de tratativas sobre a Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, que dispõe sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), além de demandas relacionadas a crédito consignado. A PF descreve uma sequência de contatos entre o parlamentar e figuras como Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, que teria atuado nas negociações do imóvel e no diálogo com o grupo.
Investigadores ressaltam que há registros de chamadas e envio de material legislativo em agosto de 2024, além de comunicações trocadas em março de 2025 durante negociações envolvendo a venda do Banco Master ao BRB. Em parecer, a PF interpreta essas trocas como indícios de que Wagner ocupava posição de interlocutor relevante — recebendo informações e participando, segundo a apuração, de decisões que interessavam ao grupo econômico.
A investigação coloca o líder do governo sob pressão política. Para o Planalto, a exposição de um senador da articulação legislativa implica risco de desgaste e aumenta a cobrança por explicações públicas. Para a oposição, os fatos reforçam argumento sobre influência de grupos financeiros no Congresso. O caso segue em apuração, e cabe ao senador e à sua defesa apresentar esclarecimentos formais frente às suspeitas, sob pena de ampliar o custo político da base aliada.