A Polícia Federal apreendeu sete armas nesta quinta-feira (10/9) no desdobramento da Operação Make Up, que mira o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e apura suposto desvio de recursos públicos destinados a financiar o filme Dark Horse, biografia sobre o ex‑presidente Jair Bolsonaro. Os mandados — 49 no total — foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal e cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.

As investigações, conforme o relatório que justificou as ordens judiciais, apontam para uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados. O esquema teria usado termos de fomento para repassar emendas parlamentares a uma organização da sociedade civil e, em seguida, subcontratar empresas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação de serviços. Há indícios de que tentativas de dissimular os desvios se estenderam até julho de 2026.

Levantamentos financeiros citados pela PF identificaram movimentações da ordem de centenas de milhões de reais entre empresas ligadas ao esquema. São investigados, entre outros, os crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. A apreensão das armas integra as medidas cautelares destinadas a coletar provas e evitar interferências nas apurações.

A operação amplia o escrutínio sobre o uso de emendas parlamentares e sobre articulações entre setor público e privado para projetos culturais. Além do impacto judicial, o caso pode gerar repercussão política para os envolvidos e tensionar ainda mais a relação entre aliados. A NAÇÃO tentou contato com Mario Frias, sem retorno; o espaço segue aberto para manifestação.