A Polícia Federal sustentou ao Supremo que o principal motivo para pedir a apreensão e suspensão do passaporte de Thiago Miranda foi o risco de fuga do país. No pedido apresentado ao ministro-relator André Mendonça, a corporação destacou três elementos considerados preocupantes: a troca de aparelhos e chips nas últimas semanas, o encerramento das atividades da agência MiThi e a existência de passagem aérea com destino a Miami para a segunda-feira (13).
Apesar da ausência de recomendação formal da Procuradoria-Geral da República, Mendonça decretou a medida cautelar. A PF qualificou o cenário como de risco sério de evasão, o que, na prática, limita a mobilidade internacional do investigado e preserva o andamento das diligências instauradas na 10ª fase da Operação Compliance Zero.
As apurações apontam Thiago Miranda como articulador central do chamado 'Projeto DV', atribuído a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo a investigação, a estratégia envolvia recrutamento coordenado de influenciadores e jornalistas para descredibilizar o Banco Central e pressionar concorrentes e profissionais de imprensa, com pagamentos que poderiam chegar a R$ 2 milhões e cláusulas rígidas de confidencialidade e multa.
Do ponto de vista político e institucional, o episódio acende alerta: a montagem de campanhas coordenadas contra órgãos públicos e jornalistas expõe fragilidades na defesa da credibilidade das instituições e amplia desgaste sobre empresas e pessoas ligadas ao esquema. A apreensão do passaporte é medida preventiva, mas também simboliza a escalada do escrutínio sobre práticas que fogem ao debate público transparente.
As investigações prosseguem nos termos da Polícia Federal e pendem agora de novas diligências e possíveis desdobramentos judiciais. Para o momento, a restrição à saída do país reduz a chance de evasão e dá ao Judiciário e à PF mais margem para apurar responsabilidades e eventuais vínculos entre os alvos da operação.