A Polícia Federal abriu apuração para investigar a liberação de cinco malas em um voo privado que teve origem na ilha de São Martinho e pousou no Aeroporto Executivo Internacional Catarina, em São Roque (SP), em abril de 2024. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo; no avião estavam, além do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos‑PB), o senador Ciro Nogueira (PP‑PI) e os deputados Dr. Luizinho (PP‑RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB‑AL). A aeronave pertence ao empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG, ligado ao setor de apostas online.
Segundo a PF, as bagagens teriam sido liberadas sem passar por inspeção de raio‑X, e a investigação busca apurar se houve facilitação irregular no desembarque. Por envolver autoridades com foro privilegiado, o caso foi remetido ao Supremo Tribunal Federal; o relator, ministro Alexandre de Moraes, abriu prazo para manifestação da Procuradoria‑Geral da República.
Pela assessoria, Hugo Motta confirmou que esteve no voo e afirmou ter cumprido os procedimentos previstos na legislação aduaneira. Até a publicação desta reportagem, os demais citados não haviam se manifestado. A investigação coloca em xeque procedimentos de fiscalização e expõe o risco reputacional de parlamentares que se relacionam com empresários de setores sensíveis, como o das apostas.
O episódio acende um alerta político: além do potencial custo jurídico, há impacto direto na legitimidade da Presidência da Câmara e na confiança pública sobre o respeito às regras por parte de altas autoridades. A coletiva de Motta, anunciada para as 15h desta terça‑feira (28/4) no Salão Verde, passa a ser um dos momentos-chave para tentar reduzir incertezas e demonstrar transparência.