Policiais federais ouvidos pela reportagem avaliam que a investigação sobre o caso Master passou a ser usada com finalidade política, numa avaliação que coloca em risco a percepção de isenção da corporação. Segundo agentes, uma decisão do ministro André Mendonça no Supremo foi o estopim para uma reação interna: há pedidos para que o sigilo das apurações seja encerrado e para que mais transparência seja dada ao processo.
A mobilização interna expõe um problema institucional: quando operações e inquirições são percebidas como dirigidas a interesses políticos, a confiança pública na Polícia Federal corrói-se. Fontes dizem temer que a narrativa de politização amplie desgaste sobre a corporação, facilite ataques de imagem e estimule pressões externas — tanto do Executivo quanto de atores políticos que buscam instrumentalizar o caso.
O pedido pelo fim do sigilo tem dupla consequência prática: atende à demanda por transparência, mas também aumenta o risco de vazamentos e interpretações seletivas dos elementos da investigação. Para especialistas ouvidos em episódios anteriores, essa combinação pode prejudicar tanto o trabalho técnico quanto a autoridade institucional, abrindo espaço para disputas judiciais e retórica política que desviam o foco probatório.
No plano político, o episódio acende alerta para efeitos colaterais relevantes: desgaste institucional, risco de judicialização da disputa e impacto na agenda legislativa e nas relações entre os poderes. A saída — defendem parte dos policiais — é fortalecer procedimentos de investigação alinhados à lei e à técnica, evitando que episódios de alta exposição sejam apropriados para ganhos eleitorais ou mediáticos.