A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira a terceira fase da Operação Transparência, cumprindo quatro mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo. A ação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, investiga um grupo suspeito de cobrar por promessas de influência em decisões judiciais ainda em curso.

Segundo apuração jornalística, um dos alvos identificados na apuração é o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), cujo nome aparece ligado a integrantes do grupo investigado. A apuração teve origem em dezembro de 2025, a partir de suspeitas relacionadas ao direcionamento de emendas parlamentares, e agora avança com diligências que visam coletar documentos e possíveis indícios de movimentações financeiras.

A PF informou que, até o momento, não foram encontrados indícios de envolvimento de membros do Poder Judiciário. A investigação concentra apurações sobre exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, em linha com relatos de cobrança de valores expressivos sob a alegação de capacidade de interferir em processos judiciais em andamento. O espaço para manifestação à assessoria do deputado foi aberto, mas ainda sem resposta no momento da publicação.

Além do aspecto criminal, a operação tem reflexo político imediato: atinge um parlamentar ligado a figuras do alto escalão e reabre o debate sobre o uso de emendas e redes de influência no Congresso. O avanço da investigação pode gerar custo reputacional para envolvidos e exigir esclarecimentos públicos, inclusive sobre eventuais vetores de operacionalização das suspeitas. A Polícia Federal segue com as diligências enquanto o Supremo supervisiona os atos autorizados por seu gabinete.