A Polícia Federal cumpriu, nesta segunda-feira (19/10), mandados de busca e apreensão contra Humberto Fontoura Pradera, ex-secretário de Tecnologia da Informação do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A investigação aponta que Pradera teria compartilhado, antecipadamente, informações sobre processos em tramitação na Corte com o advogado Willer Tomaz. O ex-secretário foi exonerado na semana passada e, até o momento, nem ele nem Tomaz se manifestaram sobre as suspeitas.

A diligência foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e é apresentada pela PF como a primeira medida de aprofundamento das apurações envolvendo o advogado. O novo desdobramento se apoia em relatório encaminhado pela corporação ao STF em 8 de outubro, que relaciona suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Willer Tomaz e registra vínculos entre o advogado e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República. A operação desta segunda não cumpriu mandados contra o parlamentar.

No relatório policial, os investigadores descrevem troca de mensagens entre Tomaz e Pradera e o envio, pelo ex-secretário, de uma fotografia de tela que mostraria um documento jurídico de 17 páginas com conclusão pelo não conhecimento de recursos especiais — supostamente obtido antes da formalização da decisão. Há também registro de mensagem em que Pradera indicaria o número de processo (REsp 2122969) e explicaria o teor da decisão antes da assinatura de um ministro. Para a PF, esse conjunto de provas indica acesso antecipado a conteúdo processual e comunicação sobre efeitos de decisões ainda não publicadas.

Além do impacto penal eventual sobre os investigados, o caso tem implicações institucionais e políticas. A suspeita de vazamento interno reforça questionamentos sobre controles de informação no STJ e expõe risco de desgaste para a Corte em um momento de maior sensibilidade sobre transparência e integridade judicial. Politicamente, o episódio complica a narrativa em torno das ligações entre o advogado e o senador Flávio Bolsonaro, ampliando desgaste sobre aliados e colocando pressão sobre lideranças para medidas de correção e esclarecimento. No plano prático, a investigação tende a estimular revisões de protocolos de acesso a documentos e a aumentar o escrutínio sobre servidores com funções sensíveis.