O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, defendeu nesta terça a abertura de um novo inquérito para apurar o envio de recursos do banqueiro Daniel Vorcaro aos Estados Unidos, com a justificativa de financiamento do filme Dark Horse. Rodrigues afirmou haver novos elementos que indicam eventual apoio de pessoas no exterior e mecanismos de coação durante o curso do processo, e disse que a PF vai aguardar a decisão do Judiciário para dar sequência às apurações.

Segundo o chefe da corporação, o caso tem três possíveis encaminhamentos no Supremo Tribunal Federal: incorporação ao inquérito conhecido como Master, sob relatoria do ministro André Mendonça; inclusão na investigação sobre atuação do deputado Eduardo Bolsonaro nos EUA, que tramita com relatoria do ministro Alexandre de Moraes; ou distribuição por sorteio a outro ministro. A definição do relator interessa não só ao ritmo das apurações, mas também ao alcance das diligências — e, em termos políticos, pode complicar a narrativa dos envolvidos.

Na mesma entrevista, Rodrigues criticou a decisão de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Ele qualificou a equiparação como um “equívoco técnico” que pode prejudicar o combate às facções, afirmação que, segundo o diretor, foi recebida com surpresa em órgãos de segurança. A posição abre debate sobre técnica jurídica versus instrumentos operacionais no enfrentamento do crime organizado.

A sugestão de novo inquérito e a menção a atuação de atores internacionais acendem alerta para a complexidade do caso: além do aspecto penal, há potencial efeito político e institucional. A decisão do STF sobre onde concentrar a investigação deverá definir prazos, procedimentos e o grau de exposição pública — variáveis que tendem a pressionar atores políticos e a atrair atenção sobre a origem e a finalidade dos recursos envolvidos.