A Polícia Federal cumpriu mandados no Rio de Janeiro nesta terça-feira na Operação Compliance Zero, que investiga possíveis crimes financeiros envolvendo recursos do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência). Segundo os autos, a apuração concentra-se em aplicações feitas a partir de 2024 em fundos vinculados ao Banco Master, instituição que foi alvo de suspeitas e teve liquidação pelo Banco Central em novembro de 2025.
Os investigadores apontam para repasses de R$ 2,01 bilhões a fundos do Master em 2024. A operação é um desdobramento da Operação Barco de Papel, que já havia identificado aportes de R$ 970 milhões em Letras Financeiras do mesmo banco entre 2023 e 2024. No total, a PF apura cerca de R$ 3 bilhões transferidos pela Rioprevidência e busca esclarecer a origem, a destinação e possíveis irregularidades nos negócios.
Os fatos têm nítido impacto político: as aplicações ocorreram durante a gestão do então governador Cláudio Castro, que renunciou ao mandato este ano e hoje é considerado inelegível. A investigação acende alerta sobre controles e governança na administração de recursos públicos do Estado, e amplia desgaste político para quem respondia pela gestão à época — ainda que apurações e responsabilizações dependam de provas e decisões judiciais.
Para além do enquadramento político, a ação da PF ressalta riscos fiscais e institucionais ligados à gestão de fundos previdenciários. Se confirmadas irregularidades, haverá repercussões sobre a supervisão dos investimentos públicos, pressão por auditorias e risco de responsabilização administrativa e criminal. A investigação segue em andamento, com mandados e diligências destinadas a mapear a amplitude dos repasses e as possíveis fraudes apontadas contra o Banco Master.