A Polícia Federal caminha para concluir, nas próximas semanas, o primeiro inquérito ligado à Operação Compliance Zero, e prepara o indiciamento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Investigadores informaram que o lote inicial de apurações concentra-se na compra de títulos podres pelo Banco de Brasília (BRB) e que o volume e a complexidade das operações superaram as estimativas iniciais. Entre os nomes que podem figurar no relatório final está o do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

O avanço do caso levou Vorcaro a renovar sua equipe de defesa: o criminalista Daniel Bialski passou a atuar no processo, em conjunto com advogados já contratados anteriormente. Fontes próximas ao caso dizem que a estratégia inclui reavaliar os pedidos de colaboração premiada — que já foram recusados duas vezes pela PF e pela PGR por não acrescentarem elementos relevantes além do que a investigação já havia obtido.

A corporação teve acesso a aparelhos e documentos que, segundo investigadores, ajudaram a desmontar a estrutura operacional do esquema. A leitura dos autos permitiu identificar caminhos de recursos, origem dos papéis fraudulentos e a metodologia adotada pelos operadores. Por isso, parte da força-tarefa avalia que a colaboração de Vorcaro, nas condições oferecidas até agora, não é essencial para a continuidade das apurações e poderia, em tese, gerar impunidade se limitada.

Além da fase sobre prejuízos ao BRB, a Operação Compliance Zero abriu frentes que seguem em investigação: envio de recursos ao exterior, contratação de influenciadores e jornalistas para campanhas online contra o Banco Central, o financiamento do filme Dark Horse e possíveis conexões com políticos cujo envolvimento ainda está em estágio inicial de apuração. A PF considera remota, mas não descartada, a realização de diligências mais agressivas durante o período eleitoral, dependendo do que surgir nas próximas provas.

Se confirmados indiciamentos de figuras de destaque, o desdobramento terá efeito político e institucional. Trata-se de um episódio que expõe fragilidades de governança em instituições financeiras e a potencial exposição do erário — pontos sensíveis para a avaliação de eficiência administrativa e responsabilidade fiscal. Para o campo político, o caso reclama resposta clara: além das implicações penais, há custo reputacional e pressão sobre atores públicos ligados ao BRB e a eventuais apoiadores, que precisarão lidar com o efeito político das revelações nas próximas semanas.