A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República avaliam rejeitar novamente a proposta de delação do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Segundo autoridades ouvidas, a colaboração traz relatos que já constam nas investigações e na imprensa, com poucos elementos novos que possam justificar um acordo. A decisão sobre o prosseguimento do pedido deve ser tomada nos próximos dias, em meio a intensas conversas entre a defesa e a equipe da Operação Compliance Zero.
Investigadores apontam que a delação padece de provas robustas e, em grande parte, de acesso a documentos que Vorcaro deixou de controlar após a prisão e a perda da gestão das empresas. Há também a avaliação de que o ex-banqueiro pode estar preservando pessoas próximas, o que reduziria o valor operacional da colaboração. Na visão da PGR, relatos superficiais e informações já conhecidas não atendem aos requisitos mínimos para homologação de um acordo que mereça acolhimento.
Entre os nomes citados na nova proposta estão os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nogueira já foi alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, com mandados cumpridos no DF e no Piauí autorizados pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF. Sobre Flávio, Vorcaro descreve repasses para a produção do filme Dark Horse e eventuais pedidos do senador por recursos — os investigadores registraram pedidos da ordem de R$ 134 milhões e pagamentos de ao menos R$ 60 milhões, mas consideram que, se não houver complementação de provas, os relatos são insuficientes para a colaboração.
A eventual rejeição não encerra as apurações: fontes antecipam novas operações para aprofundar o funcionamento do esquema e buscar provas independentes. Politicamente, a recusa da delação mantém a pressão sobre os citados e afasta a possibilidade de atenuação de penas para Vorcaro, ao mesmo tempo em que preserva o protagonismo das investigações conduzidas pela PF e pela PGR. Para o campo político, a exposição dos nomes reforça o debate sobre relações entre o setor financeiro e parlamentares, sem, contudo, alterar por si só o curso das responsabilidades penais sem provas adicionais.