A investigação sobre fraudes e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master chegou ao coração do Poder Legislativo nesta quinta-feira. A Polícia Federal cumpriu mandados no gabinete do senador Ciro Nogueira e na sua residência no Lago Sul, por ordem do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo. O parlamentar estava em casa quando as diligências foram realizadas, numa fase que amplia o alcance da apuração para o alto escalão da eventual organização criminosa.
Segundo o relatório da PF, mensagens interceptadas e outros elementos indicaram relacionamento próximo entre Nogueira e Daniel Vorcaro, controlador do Master. Investigadores apontam repasses habituais ao senador — descritos como mesadas — além de aquisição de participação societária com desconto significativo, pagamento de viagens e hospedagens em estabelecimentos de alto padrão e disponibilização de cartão de crédito. A corporação afirma que o gabinete parlamentar funcionou, na prática, como extensão dos interesses do banco.
Um dos episódios centrais da apuração envolve a Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, apresentada por Nogueira em agosto de 2024, que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. A PF sustenta que a minuta foi elaborada pela assessoria do Master e reproduzida integralmente no Senado; mensagens citadas no pedido de busca sugerem que Vorcaro comemorou a apresentação dizendo que o texto saiu como solicitado. A operação também levou à detenção temporária de Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro, enquanto o irmão do senador teve medidas cautelares aplicadas — tornozeleira e restrições de deslocamento.
Além do impacto jurídico, a fase atual da investigação acende alerta político sobre a relação entre representantes do Centrão e interesses privados do setor financeiro. Para além da defesa técnica apresentada pela defesa de Nogueira, a investigação provoca desgaste e complica a narrativa de proximidade institucional, exigindo esclarecimentos públicos e potencialmente pressionando o governo e os aliados a reagir. Resta acompanhar se as provas sustentarão acusações formais e como o episódio influenciará a agenda legislativa e a confiança nas instituições.