A Polícia Federal deflagrou a Operação Exchange e obteve um dos maiores bloqueios já registrados: cerca de R$ 10,4 bilhões em bens, valores e criptoativos atribuídos a uma rede acusada de lavar recursos para o Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação, com mais de 50 agentes atuando em São Paulo, Santos e Santana de Parnaíba, levou à prisão de Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, conhecida como 'Lara Croft'. O principal investigado, o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, o 'Japa', escapou e é procurado.
O diretor da PF atribuiu parte do insucesso operacional às sanções anunciadas pelos Estados Unidos, que teriam servido de alerta e antecipado a movimentação do grupo. Segundo a corporação, o Departamento do Tesouro impôs medidas contra a dupla sem aviso prévio às autoridades brasileiras, mesmo havendo cooperação via Departamento de Segurança Interna desde 2024 — fato que, na avaliação de Brasília, prejudicou a execução que poderia ter localizado o foragido.
A investigação aponta atuação sofisticada de 'doleiros modernos' e uso de criptomoedas: há indícios de lavagem de mais de US$ 30 milhões em solo norte-americano e movimentações que teriam incluído US$ 190 milhões por e-commerce em sete meses, com ramificações na Europa e na Ásia. No país, Shimada já responde a casos que envolvem patrocínio esportivo e foi condenado em episódio de desvio de R$ 35 milhões via Pix. Ao mesmo tempo, promotores que atuam contra o PCC dizem não identificar, nos inquéritos nacionais, elo formal entre a dupla e a cúpula da facção.
O episódio acende um alerta institucional: a decisão unilateral de Washington expõe fragilidades na coordenação internacional e complica a narrativa sobre como enfrentar facções transnacionais. Para especialistas e agentes, o resultado é híbrido — sucesso financeiro no bloqueio de ativos, mas prejuízo operacional com um investigado foragido e risco de perda de provas. Politicamente, a questão pressiona o governo a buscar maior alinhamento diplomático e protocolos claros para ações conjuntas sem comprometer investigações em curso.