A Polícia Federal afirma que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, custeou viagens do senador Ciro Nogueira (PP-PI) e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para destinos como Paris, Nova York e Lisboa. Segundo os autos da Operação Compliance Zero, Nogueira teria recebido pelo menos R$ 468,721,78 em despesas com viagens e jantares.
Em um dos episódios detalhados pela investigação, invoices e comprovantes apontam pagamento de cinco diárias no Hotel Four Seasons, em Lisboa, totalizando R$ 91.280,59. No mesmo período, o portal do Senado registra diárias pagas pela Casa ao parlamentar — um elemento que chama atenção por possível sobreposição de registros e pela necessidade de esclarecimento sobre custeio efetivo.
Mensagens e fotos encontradas nos aparelhos de Vorcaro revelam relações próximas: diálogos em que Nogueira se refere ao executivo com termos de afeto e conversas do dono do banco instruindo equipe sobre segurança e lista de convidados. A PF também localizou registros que atestam o pagamento das estadias. A defesa de Motta disse que a viagem teve caráter corporativo e negou irregularidades; a assessoria de Nogueira não se manifestou.
O conjunto de provas — notas fiscais, mensagens e imagens — transforma o caso em mais do que uma apuração contábil: expõe risco político para os parlamentares envolvidos e questiona padrões de transparência sobre vantagens recebidas por autoridades. Caberá ao Judiciário e aos órgãos de controle aprofundar as diligências e definir responsabilidades, enquanto a divulgação das evidências tende a gerar desgaste público e pressões por esclarecimento.