A Polícia Federal encontrou R$ 287 mil em espécie na casa de um servidor do INSS durante a fase mais recente da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em benefícios previdenciários. O dinheiro estava embalado em sacos de lixo e armazenado em uma mala, todo em notas de R$ 200. Além dos valores, os agentes apreenderam dez veículos de luxo, entre Land Rover, Porsche, BMW e Mercedes-Benz.
A ação, com ordens expedidas pelo Supremo Tribunal Federal, cumpriu 31 mandados de busca e apreensão e aplicou oito medidas de monitoramento eletrônico em Pernambuco, São Paulo, Paraíba e no Distrito Federal. As investigações miram crimes como constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e dilapidação patrimonial — acusações que, se confirmadas, reforçam a gravidade do suposto esquema.
A primeira fase da operação, deflagrada em abril de 2025, já havia levantado a possibilidade de descontos indevidos que atingiriam até R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. O caso levou ao afastamento de pelo menos seis servidores e acendeu alerta sobre a eficiência dos controles internos do INSS. A descoberta de grande volume de recursos em espécie e bens de alto padrão amplia o desgaste da gestão sobre a resposta institucional e a fiscalização.
Além do impacto jurídico, a operação tem consequências políticas e sociais claras: põe pressão sobre o governo e aumenta a cobrança por ajustes administrativos e transparência no pagamento de benefícios, enquanto reforça a percepção de vulnerabilidade dos beneficiários. Desdobramentos recentes, como a Operação Indébito em março, mostram que o problema é persistente e que medidas estruturais ainda são exigidas para evitar novas fraudes.