A Polícia Federal identificou 40 perfis — entre páginas com grande alcance, influenciadores e jornalistas digitais — que teriam sido usados para promover ataques coordenados ao Banco Central no âmbito da Operação Compliance Zero. Segundo a apuração, os envolvidos chegaram a receber valores que, em alguns casos, alcançaram até R$ 2 milhões para integrar a rede e defender interesses ligados a Daniel Vorcaro, conforme reportado pela CNN Brasil e confirmado a esta redação por fontes da corporação.

De acordo com as diligências, o esquema funcionava com contratos e mobilização coordenada: quem não aceitava participar, depois de ter conhecimento do funcionamento do sistema, teria sido alvo de ameaças. A investigação aponta ainda que o publicitário Thiago Miranda — ex-sócio do jornalista Leo Dias — exercia papel central na articulação das ações, o que motivou buscas e apreensão na 10ª fase da operação. A decisão judicial que autorizou as medidas destacou o grau de periculosidade da organização investigada.

A PF afirma que recursos originados do esquema de fraudes relacionadas ao Banco Master foram usados para financiar campanhas de desinformação na mídia tradicional e digital, com objetivo de proteger o núcleo dirigente da organização e de coagir ou intimidar opositores, concorrentes e jornalistas. Em nota, a defesa de Thiago Miranda nega irregularidades e afirma que seu cliente atuou dentro da legalidade.

Além do aspecto criminal, o caso levanta consequências políticas e institucionais: o uso de dinheiro proveniente de fraudes para influenciar a narrativa pública e atacar a autoridade responsável pela estabilidade financeira gera risco reputacional e erosão da confiança na autonomia do Banco Central. A apuração em curso agora mira quem assinou contratos com ciência do propósito das ações e quem foi coagido — e tem potencial para ampliar a pressão sobre atores políticos e sobre mecanismos de fiscalização do setor financeiro.