Registros obtidos pela Polícia Federal indicam que o advogado Ciro Soares encaminhou ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, uma foto em que aparece o procurador‑geral da República, Paulo Gonet, durante uma degustação de charutos em Londres. O envio ocorreu em 19 de junho de 2025, segundo consta no relatório da investigação, e veio acompanhado de mensagens que evidenciam a intermediação do advogado entre as duas partes.

Os diálogos anotados pela PF mostram que a aproximação passou por pedidos para incluir o filho do procurador — referido nos autos como 'Pedrinho' — nos encontros sociais e por recados em que Gonet manifesta apreço e mantém contato direto com o banqueiro. Em março do ano passado, o material registra o envio de outra foto seguido de instrução para que Vorcaro atendesse ligações do procurador; dias depois, foram encaminhadas novas mensagens que trazem a marca de terem sido repassadas por terceiros.

A reportagem do O Globo publicou as informações, posteriormente confirmadas pelo Estadão. A assessoria de Gonet reconheceu a participação em encontros sociais, e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relatou em sessão da Corte que não identificou ilícito envolvendo o procurador. O relatório da PF foi produzido a pedido do próprio Mendonça, relator da operação batizada de Compliance Zero, segundo as informações nos autos.

Do ponto de vista político, as trocas amplificam questionamentos sobre a fronteira entre relações sociais e funções institucionais. Ainda que nenhuma irregularidade tenha sido formalmente apontada pelo relator, a proximidade documentada entre o chefe do Ministério Público e um empresário financeiro complica a narrativa oficial e acende alerta sobre percepção de conflito de interesse. Para o PGR e para o Planalto, o desafio será demonstrar que os contatos não influenciaram atos institucionais, sob o risco de desgaste e de pressão política adicional nas próximas semanas.