A Polícia Federal concluiu um novo inquérito sobre o esquema de descontos indevidos em aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e indiciou seis pessoas por inserção de dados falsos em sistemas de informação e por participação em organização criminosa. A investigação aponta atuação da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) como centro das apurações.
Entre os indiciados estão o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral do órgão Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho e o ex-diretor de Benefícios André Paulo Félix Fidelis. Os três já haviam sido alvo de indiciamentos em outra frente da Operação Sem Desconto, que apura fraudes envolvendo entidades associativas e descontos sobre benefícios.
O relatório final da investigação foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça. A partir da análise do documento, caberá à Procuradoria-Geral da República decidir se apresenta denúncia à Justiça, pede o arquivamento do caso ou solicita diligências complementares — passos que definirão se o processo avança na esfera penal.
Além das implicações jurídicas, o caso levanta perguntas sobre controles internos do INSS e sobre a proteção dos beneficiários. Se as suspeitas forem confirmadas, a investigação acende alerta sobre fragilidades administrativas e impõe custo político à narrativa de eficiência na gestão de benefícios, pressionando por responsabilização e medidas de prevenção.