A Polícia Federal instaurou 814 inquéritos para apurar crimes eleitorais em 2026, segundo dados do painel de monitoramento da corporação atualizados em 27 de julho. Quase todas as investigações — 810 — foram abertas por portaria, instrumento usado quando há indícios de delito sem situação de flagrante; apenas quatro casos partiram de flagrante.

O Maranhão concentra o maior número de procedimentos, com 92 inquéritos, seguido por Rio de Janeiro (86), Ceará (81) e São Paulo (67). Nove estados não registravam aberturas no painel: Acre, Alagoas, Amapá, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e Sergipe. Entre as tipificações mais frequentes estão falsidade ideológica (287), inscrição fraudulenta de eleitor (210) e corrupção eleitoral (127). Outros delitos registrados incluem difamação e calúnia na propaganda (76), apropriação indébita de recursos de campanha (58) e violência política por gênero ou raça (42).

O comportamento dos flagrantes mostrou picos ao longo do ano: 16 ocorrências em um dia no início de fevereiro e número igual em meados de julho; março e abril também registraram dias com 15 e 14 flagrantes, respectivamente. No Distrito Federal há 24 inquéritos, todos instaurados por portaria — 23 ligados à falsidade ideológica e 17 a inscrição fraudulenta — e houve aceleração nas aberturas entre junho e julho. As comunicações iniciais partiram majoritariamente da Justiça Eleitoral (8), seguidas pelo Ministério Público Federal (5) e Ministérios Públicos Estaduais (3).

Do ponto de vista político e institucional, a predominância de portarias e a concentração regional apontam para duas interpretações plausíveis: maior atividade de controle em determinados estados e, ao mesmo tempo, possíveis lacunas na detecção em unidades sem registros. Para campanhas e partidos, a intensificação da fiscalização significa risco reputacional e custo político, sobretudo em estados com maior número de apurações. A PF parece indicar que a apuração seguirá ativa, o que pode alterar estratégias de campanha e forçar maior atenção à conformidade eleitoral.