O diretor‑geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, informou que o Brasil e a Interpol avançaram nas tratativas para criar uma coalizão sul‑americana de combate ao crime organizado. A iniciativa foi discutida durante reunião da comitiva do presidente na Cúpula do G7, na França, e pretende reunir os 12 países da região em ações coordenadas.

A proposta prevê usar a estrutura regional da Interpol em Buenos Aires para ampliar intercâmbio de informações, inteligência e tecnologia entre os estados sul‑americanos. Segundo Rodrigues, o esforço abrange tráfico de drogas, tráfico de armas, crimes ambientais, crimes financeiros, além de cybercrime e proteção a crianças e adolescentes. A Interpol lançou a chamada difusão prateada, ferramenta para localizar e recuperar bens vinculados ao crime; o diretor citou recuperação de mais de R$ 10 bilhões no ano passado.

No plano doméstico, a PF diz manter tratativas com instituições financeiras para criar mecanismos adicionais de verificação e ampliar o compartilhamento de bases de dados com a Interpol, além de estudar instalação de adidância na Suíça para estreitar cooperação europeia. A corporação também ressalta sua presença em todos os estados como plataforma para operacionalizar a agenda internacional.

O projeto reforça o papel do Brasil nas redes multilaterais de segurança e pode ampliar a eficácia das investigações. Ao mesmo tempo, acende o alerta sobre a necessidade de coordenação entre países e entre União e estados, capacidade operacional e clareza sobre metas e transparência. Sem resultados mensuráveis, a iniciativa corre o risco de gerar mais expectativa do que impacto concreto na segurança e nas finanças públicas.