A Polícia Federal abriu investigação interna para apurar a conduta de um perito criminal federal suspeito de vazar informações relacionadas à Operação Compliance Zero, que investiga fraudes atribuídas ao Banco Master. A medida, determinada pelo relator no Supremo Tribunal Federal, ministro André Mendonça, envolve diligências sobre dados obtidos a partir da análise de material apreendido em fases anteriores da operação.

Segundo a própria PF, o suspeito teria repassado a integrantes da imprensa elementos sigilosos sobre o início das apurações. Entre as informações apontadas na acusação estão detalhes de um contrato de R$ 129 milhões firmado pela advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes — dos quais, conforme a apuração, teriam sido pagos R$ 80 milhões à advogada. O perito também é citado como fonte de mensagens trocadas entre o magistrado e o empresário Daniel Vorcaro. A investigação, porém, não se relaciona ao vazamento de um áudio que envolve o senador Flávio Bolsonaro e Vorcaro.

A operação provocou desconforto em setores da própria PF. Colegas do perito manifestaram ceticismo quanto à hipótese de que os vazamentos tenham saído diretamente do universo restrito das investigações, e há a percepção interna de que outros episódios de divulgação de informações não estariam sendo alvo de apuração semelhante. No STF, a Corte enfatizou que as medidas não miram jornalistas ou veículos, preservando o sigilo da fonte e a liberdade de atuação da imprensa, e que o foco é a conduta do agente público que teria violado dever funcional.

Além do aspecto criminal disciplinar, o caso tem repercussão política e institucional: expõe tensão sobre o manejo de dados sigilosos em investigações sensíveis e acende alerta sobre a necessidade de transparência na apuração de eventuais vazamentos. Para o braço institucional, a investigação tende a ampliar o escrutínio público sobre práticas internas da PF e pode alimentar questionamentos sobre seletividade e proteção de informações que envolvem autoridades de alto escalão.