Mensagens de WhatsApp apreendidas no celular do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e obtidas pela Polícia Federal integram a investigação batizada de Operação Compliance Zero. Segundo os autos, conversas entre novembro de 2024 e janeiro de 2025 mostram cobranças para acelerar operações bilionárias com o Banco Master, que enfrentava crise de liquidez. A PF estima que ao menos R$ 12,2 bilhões em carteiras compradas podem ser fraudulentas; a hipótese de pagamento de propina é mencionada pelos investigadores. A defesa do ex-presidente não se manifestou até a publicação.

As trocas de mensagens indicam que decisões foram tomadas sem due diligence adequada. Após pagamento de R$ 181 milhões ao Master, Paulo Henrique questionou o então diretor financeiro Dário Oswaldo Garcia Júnior sobre a origem de uma carteira. Garcia relatou que ativos estavam “enrolados” e admitiu surpresa com o surgimento de novas carteiras apresentadas pelo banco privado, segundo os registros da PF.

Em dezembro de 2024, as conversas mostram orientações para reclassificar volumes como prejuízo, com o objetivo declarado de aumentar o resultado na cessão de carteiras — medida que, na avaliação da investigação, poderia mascarar o desempenho real do BRB. O ex-presidente também pediu prioridade para cinco operações que somavam mais de R$ 1 bilhão, incluindo compras ligadas ao produto Credcesta. Relatos dos investigadores apontam transferências antecipadas de recursos antes da entrega formal dos ativos, prática fora do padrão do mercado.

O caso acende alerta sobre governança e controles internos do banco público. Além do potencial impacto fiscal e patrimonial, a investigação pode gerar desgaste político para responsáveis pela administração e ampliar pressão sobre órgãos de supervisão. Para a gestão do BRB e para autoridades locais, as revelações exigem respostas objetivas sobre processos de aprovação, mitigação de riscos e responsabilidades penais e administrativas.