A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (9/7) a 10ª fase da Operação Compliance Zero, ligada às fraudes no Banco Master. Segundo a corporação, a nova etapa mira atuação coordenada em redes sociais com o objetivo, em tese, de comprometer a credibilidade do Banco Central. Em Brasília, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão; as diligências também apuram intimidação de jornalistas. Entre os alvos identificados pela PF está Thiago Miranda, ex-sócio do portal Leo Dias.

A operação amplia o escopo da investigação sobre o Master: além do caminho financeiro, as autoridades apuram uma eventual operação de influência e desinformação. A PF não detalhou medidas além das diligências em curso, mas o recorte revela que investigadores passaram a mapear táticas de comunicação, mobilização nas redes e eventual intimidação como elementos do suposto esquema.

Do ponto de vista institucional, a hipótese de campanha dirigida a minar o BC tem consequências concretas. Erosão de confiança na autoridade monetária pode reduzir a eficácia de políticas públicas e afetar a estabilidade do mercado, ao mesmo tempo em que complica o ambiente político. Se confirmadas, as suspeitas implicariam custo reputacional e legal para os atores envolvidos — e ampliariam o alcance do caso além das contas e operações financeiras.

O episódio tende a ampliar o escrutínio sobre atores que atuam na interseção entre mercado, mídia e redes sociais. A investigação da PF deve detalhar as evidências nas próximas etapas; enquanto isso, o caso reforça a necessidade de proteger jornalistas e preservar a autonomia de instituições centrais para o funcionamento do sistema financeiro e da democracia.