A Polícia Federal negou, em nota, a existência de um depoimento no qual o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria declarado ter financiado um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A reportagem que veiculou a alegação saiu na revista Veja e provocou reação imediata das autoridades envolvidas.
O advogado de Vorcaro afirmou não ter conhecimento de qualquer documento que comprove o suposto repasse e disse que não houve novo depoimento à PF ou a qualquer órgão sobre o tema. A Advocacia-Geral da União comunicou que irá solicitar à Veja o direito de resposta e a correção por entender que houve divulgação de informações inverídicas e ofensivas.
O grupo Prerrogativas, formado por juristas progressistas, pediu à PF a perícia do áudio divulgado — que apareceu a 16 dias do segundo turno — e apontou suspeitas de montagem ou uso de síntese de voz. Segundo o grupo, não há informações sobre quando ou onde a gravação teria sido feita e existe a possibilidade de adulteração com objetivo de interferir no pleito.
O episódio traz duas consequências imediatas: pressiona a imprensa a comprovar fontes e materiais antes da divulgação e eleva o custo político do uso de áudios duvidosos em véspera de definição eleitoral. Há ainda o contraste com caso anterior em que Vorcaro aparece ligado a repasse para Flávio Bolsonaro, cuja existência de áudio foi reconhecida publicamente — distinção que reforça a necessidade de perícia técnica e de cautela jornalística.