A Polícia Federal está nas ruas do Rio de Janeiro com a Operação Compliance Zero para apurar possíveis crimes financeiros envolvendo recursos do Fundo Único de Previdência Social do Estado (Rioprevidência). A investigação concentra-se em aplicações realizadas a partir de 2024, quando foram identificados aportes de R$ 2,01 bilhões direcionados a fundos vinculados ao Banco Master.
A nova fase é desdobramento da Operação Barco de Papel, que havia mapeado aportes de R$ 970 milhões em Letras Financeiras do mesmo grupo entre 2023 e 2024. Somadas, as apurações da PF recaem sobre cerca de R$ 3 bilhões transferidos pela Rioprevidência, segundo o que foi informado pelas equipes de investigação.
O episódio acende alerta sobre falhas de governança e controles na gestão de recursos públicos. As aplicações ocorreram enquanto o fundo estava sob a administração do então governador Cláudio Castro, que renunciou ao mandato este ano e tornou-se inelegível. O caso amplia desgaste político para aliados e complica a narrativa oficial sobre responsabilidade fiscal no estado.
A operação ainda está em curso e cabe à PF e ao Ministério Público aprofundar provas e responsabilidades. Do ponto de vista institucional, a investigação reforça a necessidade de transparência na administração de fundos públicos e levanta questões práticas sobre risco aos beneficiários da previdência estadual e possíveis desdobramentos judiciais.