A Polícia Federal vai ouvir o jornalista Léo Dias no inquérito que apura pagamentos relacionados ao Banco Master. A diligência tem como objetivo distinguir contratos de publicidade legítimos de repasses que, segundo investigadores, poderiam ter sido usados para pressionar o Banco Central a postergar ou reverter a liquidação da instituição.
Além da empresa ligada a Léo Dias, outros grupos de mídia aparecem nas apurações. O Portal Metrópoles é apontado como recebedor de, pelo menos, R$ 27 milhões em supostas cotas de patrocínio — valor que a investigação avalia se corresponde a serviços efetivos ou a mecanismos para escoar recursos. O Metrópoles nega irregularidades.
A Receita Federal identificou ligações entre Léo Dias e Thiago Miranda, sócio-administrador da Miranda Comunicação, que também estaria relacionado à empresa Léo Dias Comunicação e Jornalismo S.A. Uma das hipóteses em exame é que pagamentos tenham financiado ataques ao Banco Central, a exaltação pública do Master e tentativas de alterar o contexto informativo sobre a liquidação, já ameaçada por falta de lastro.
A ausência de respostas públicas do jornalista reforça a necessidade de desdobramentos. A investigação, que segue sob a Operação Compliance Zero, acende alerta sobre o uso potencial de mídia e contratos publicitários para influenciar decisões regulatórias e de supervisão — com consequências diretas para o erário e para a confiança nas instituições financeiras.