A Polícia Federal encaminhou ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, pedido para que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, seja transferido da sala onde está detido na Superintendência da corporação em Brasília para a Penitenciária Federal da Papuda. A solicitação — enviada após a corporação rejeitar pela segunda vez a proposta de delação apresentada pelo ex-banqueiro — precisa de autorização do magistrado.

Segundo a PF, a proposta carece de informações relevantes e repetiria elementos já conhecidos das investigações e publicados pela imprensa. Investigadores avaliaram que Vorcaro, na versão mais recente, priorizou justificativas e explicações sobre repasses milionários a terceiros, em vez de apontar fatos novos ou indicar a participação de outros envolvidos. Por isso a corporação entendeu que sua permanência na Superintendência pode atrapalhar o curso das apurações.

A primeira versão da colaboração já havia sido recusada no mês passado, com pedido de complementos que foram solicitados à defesa. Ainda há tratativas em andamento com o Ministério Público e com outros investigados: fontes consultadas pela reportagem relatam que o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, apresentou proposta considerada mais consistente pela equipe. Os documentos estão sob análise e uma definição das autoridades é esperada nas próximas semanas.

Do ponto de vista institucional, a rejeição e o pedido de transferência expõem a dificuldade das equipes em extrair acordos de colaboração realmente úteis em casos financeiros complexos. A sinalização da PF — de exigir informações novas e substanciais — acende alerta sobre a efetividade das delações na investigação e complica a narrativa de defesa do empresário. A decisão de Mendonça, embora aguardada em breve, deve equilibrar risco à investigação e garantias processuais.