Desde 3 de junho, equipes da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República analisam uma nova proposta de delação de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Fontes policiais indicam que o parecer sobre aceitar ou rejeitar o acordo deve sair nos primeiros dias desta semana, com expectativa de decisão até terça-feira (9). Os investigadores vão confrontar documentos, versões e provas digitais com o material já reunido na Operação Compliance Zero.

A nova oferta difere da tentativa anterior porque inclui menções a autoridades que não haviam sido citadas antes, entre elas os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ciro foi alvo da quinta fase da operação, quando mandados de busca e apreensão foram cumpridos no Distrito Federal e no Piauí, ordem autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF.

O fechamento de um acordo depende de requisitos legais bem definidos: utilidade das informações, novidade em relação às provas já colhidas, completude da colaboração e existência de elementos que permitam avançar nas investigações ou recuperar recursos. A PF rejeitou a primeira proposta de Vorcaro por omissões, inconsistências e tentativas de proteger aliados — vícios que precisarão ser corrigidos nesta nova versão para viabilizar benefícios como redução de pena e desbloqueio de contas.

Além do impacto jurídico, a decisão terá reflexos políticos. Uma delação aceita e corroborada por provas ampliaria o alcance da Compliance Zero e poderia aumentar a pressão sobre a base aliada; a manutenção da rejeição, por outro lado, mantém o ritmo mais lento das apurações e sinaliza limites à capacidade de cooperação do ex-banqueiro. De qualquer forma, o desfecho nos próximos dias será determinante para o rumo das investigações e para o ambiente político em torno do caso.