A Polícia Federal avalia incluir o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro na difusão prateada da Interpol para obter cooperação internacional no rastreamento de recursos enviados pelo Banco Master. A medida, distinta da lista vermelha usada para foragidos, visa mapear fluxos financeiros que possam ter origem em crime e precisa de aval do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo.
Investigadores apontam que R$ 61 milhões foram transferidos por Daniel Vorcaro, dono do Master, para bancar o filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Há suspeita de que parte desses recursos não teve destinação lícita: segundo a apuração, parcelas teriam servido para custear despesas do deputado cassado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Fontes ligadas ao inquérito ouvidas por este portal indicam que as remessas não se limitam ao montante direcionado ao filme e que o total movimentado ao exterior pode 'chegar à casa dos bilhões', com parte dos valores em contas atribuídas a laranjas em Dubai. A difusão prateada é ferramenta recente na cooperação da PF com a Interpol e está em fase de testes.
A iniciativa de internacionalizar a busca por informações eleva o grau de pressão política sobre o senador, que já responde a outras frentes de investigação. Politicamente, o pedido à Interpol — se autorizado por Moraes — tende a intensificar o escrutínio público sobre sua pré-candidatura, ampliando o custo reputacional e a necessidade de respostas consistentes por parte do entorno.
Do ponto de vista institucional, a estratégia mostra como investigações financeiras complexas recorrem a mecanismos internacionais para superar obstáculos à obtenção de dados bancários. Resta acompanhar a decisão do ministro do STF e os desdobramentos da cooperação com países onde suspeitos valores foram remetidos.