A Polícia Federal prendeu o pastor e empresário Márcio Poncio na quinta fase da Operação Unha e Carne, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro associado à nova cúpula do jogo do bicho, conexões com a chamada Máfia do Cigarro e o vazamento de informações sigilosas a facções criminosas por integrantes da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A ação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, cumpriu mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, e determinou bloqueios de bens e valores de até R$ 22 milhões.

Além de Poncio, alvos da operação incluíram o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar — ambos já presos em desdobramentos anteriores. A lista de investigados também cita Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, que chegou a ser assessor da presidência da Alerj e hoje é pré-candidato a deputado estadual pelo Solidariedade. A presença desses nomes mostra a amplitude do inquérito entre políticos, operadores financeiros e contraventores.

Documentos apreendidos e anotações de Adilsinho mencionam o ex-governador Cláudio Castro, referências a uma suposta doação de R$ 3,2 milhões em 2022 e operações financeiras envolvendo o Banco Master e operações do Rioprevidência. A PF informa que Castro não foi alvo das medidas cautelares desta fase, e que o conteúdo das anotações ainda está em análise antes de eventuais desdobramentos processuais.

Poncio, pai da deputada estadual Sarah Poncio, é empresário com atuação em diversos setores e presença intensa nas redes sociais, o que amplifica o impacto da prisão na percepção pública. Ele foi detido poucas horas após postar vídeo sobre legado e perseverança. A dimensão das medidas — prisões, buscas e bloqueio milionário de bens — amplia a pressão sobre atores políticos ligados ao caso e sobre candidaturas já articuladas no estado.

Do ponto de vista político, a operação acende alerta para a pré-campanha de figuras ligadas à investigação e complica a narrativa de governança no Rio. Se as apurações confirmarem vínculos financeiros ou favorecimentos, aliados poderão sofrer desgaste e candidaturas serão forçadas a reagir. A PF avisa que a fase atual é mais um capítulo de investigações em curso; o impacto definitivo dependerá das próximas diligências e das análises do material apreendido.