A Polícia Federal prendeu Henrique Vorcaro na sexta fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Segundo as apurações, Vorcaro era apontado como principal financiador de uma estrutura criminosa que funcionava com dois núcleos operacionais — apelidados de "A Turma" e "Os Meninos" — responsáveis por intimidações físicas e ataques cibernéticos.
Os autos ainda descrevem pagamentos mensais da ordem de R$ 400 mil para manter a estrutura, com registros eventuais de cobranças que chegaram a R$ 800 mil, e remunerações individuais, como a do líder hacker, estimada em R$ 35 mil por mês. A ofensiva da PF mirou também policiais federais, operadores do jogo do bicho, hackers e empresários suspeitos de integrar uma organização voltada à obtenção ilegal de informações, intimidação de adversários e monitoramento clandestino.
No campo financeiro, o inquérito detalha práticas para inflar artificialmente o valor do Banco Master, emissão de CDBs sem comprovação de liquidez e ocultação de recursos — incluindo indícios de R$ 2,2 bilhões em contas ligadas a Henrique Vorcaro. A PF afirma que o aparato tecnológico chegou a invadir sistemas de cooperação internacional, como FBI e Interpol, esforço qualificado pelas autoridades como uma rede de contrainteligência para blindar os líderes do esquema.
As investigações também apontam ligações políticas que elevam o escopo do caso: mensagens sob apuração citam o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro em tratativas sobre aportes para o filme Dark Horse. O material indica que o acordo total seria de US$ 24 milhões e que Vorcaro teria desembolsado parcelas que já somariam R$ 61 milhões, além de uma linha de apuração sobre eventual uso de recursos para despesas do deputado cassado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
O desdobramento prende em si dois vetores de consequência: o risco reputacional e jurídico para nomes ligados à operação e o aprofundamento da investigação sobre infiltração no aparelho estatal. Para o campo político, menções a um pré-candidato presidencial transformam o caso em potencial desgaste, que exige esclarecimentos públicos e pode complicar narrativas de campanha. Institucionalmente, a capacidade técnica atribuída ao grupo — e sua ambição de neutralizar a ação do Estado — acende um alerta sobre vulnerabilidades em cooperação internacional e proteção de dados.