A Polícia Federal concluiu um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra Eduardo Bolsonaro e recomendou sua demissão da corporação por abandono de cargo. O ex-deputado ocupa o cargo de escrivão e está afastado das funções desde que viajou aos Estados Unidos, sem justificativa suficiente segundo o procedimento interno. A decisão do PAD será remetida ao ministro da Justiça, Wellington Lima, que tem a palavra final sobre a assinatura que tornará a expulsão definitiva.
Eduardo permanece em solo norte-americano desde o ano passado, alegando perseguição política. Durante o período nos EUA, atuou, segundo o material-base, para obter sanções do governo americano a autoridades brasileiras, inclusive medidas tarifárias que atingem setores da economia. Na segunda-feira (20/7), o governo dos EUA concedeu a ele o green card, documento que autoriza residência por dez anos.
O caso agrega outros desdobramentos institucionais: a Mesa-Diretora da Câmara já havia decretado a cassação do mandato de Eduardo por faltas sem justificativa, e o Supremo Tribunal Federal o condenou por coação no curso do processo, por tentativa de influenciar autoridades para obstruir investigações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. A recomendação de demissão pela PF reafirma a presença de sanções administrativas e judiciárias sobre sua trajetória recente.
Politicamente, a decisão coloca o ministro da Justiça diante de um dilema pragmático e reputacional: homologar a expulsão é ato administrativo previsto, mas também terá impacto na percepção pública sobre tratamento de servidores ausentes e sobre a tolerância a condutas que se confundem com atividade política. Para Eduardo Bolsonaro, a perda do cargo significaria além da suspensão remuneratória a consolidação de um quadro de isolamento institucional que já vinha se formando.