O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, disse ontem que não há, neste momento, interesse técnico na proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, ex-dono do extinto Banco Master. Pela avaliação da corporação, a colaboração precisa trazer provas novas e elementos capazes de acrescentar à investigação — critério que, segundo a PF, ainda não foi atendido. As propostas já foram rejeitadas duas vezes pelos investigadores.

Investigadores da Operação Compliance Zero já acessaram aparelhos e documentos que teriam revelado a mecânica das fraudes: sete celulares do investigado foram apreendidos e geraram pistas sobre metodologia e participantes. A PF dividiu o inquérito em frentes para agilizar diligências e espera concluir os primeiros relatórios a serem enviados ao Supremo Tribunal Federal ainda este mês, mantendo outras apurações em curso.

Entre as frentes em andamento está a investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, apontado como possível instrumento de lavagem de dinheiro. A PF avança na análise de conversas e gravações obtidas nas apreensões; em uma delas aparece o senador Flávio Bolsonaro em tratativas que envolvem repasses relacionados à produção cinematográfica. O material, até agora, serve de base para aprofundar as conexões e eventuais responsabilidades.

Do ponto de vista prático, a decisão de não aceitar a colaboração — até que surjam elementos novos — representa um revés para a estratégia de defesa de Vorcaro e prolonga o trabalho da PF. Politicamente, a continuidade das apurações, com possíveis desdobramentos envolvendo nomes em destaque, tende a manter a pauta em evidência e a criar pressão sobre atores públicos citados nas investigações.