A Polícia Federal recusou, pela segunda vez, a proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A decisão foi comunicada ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, no dia 11 de junho, segundo fontes no tribunal ouvidas pelo Correio. Investigadores apontam que as informações oferecidas por Vorcaro não avançaram além do que as diligências da chamada operação Compliance Zero já haviam revelado.
A proposta segue em análise na Procuradoria-Geral da República, mas a tendência apontada por autoridades é de nova negativa. Não há limite formal para o número de tentativas de acordo, mas já há pedido para que o relator do caso fixe um prazo final para as tratativas. Na avaliação dos responsáveis pelas apurações, as declarações de Vorcaro têm sido superficiais, com escassa comprovação documental — em parte atribuída à perda de acesso a arquivos e ao controle das empresas, decorrente da prisão e das medidas cautelares.
Fontes ouvidas pelo Correio também relatam suspeitas sobre a estratégia de defesa: parte das informações apresentadas seria repetição de fatos já conhecidos das autoridades e de matérias publicadas pela imprensa, o que reduz o valor da colaboração. Nos próximos dias, a PF deve lançar novas operações para aprofundar o conhecimento sobre o funcionamento do esquema; a corporação também estuda solicitar o retorno de Vorcaro à Penitenciária Federal de Brasília (Fazenda da Papuda) diante da interrupção das negociações.
A recusa da Polícia Federal ilumina um problema prático das negociações de colaboração: sem provas inéditas, o acordo perde utilidade investigativa e política. Para a defesa, a repetição de tentativas sem ganhos concretos significa perda de margem de manobra; para as autoridades, reforça a necessidade de aprofundar investigações e de condicionar futuras propostas a elementos documentais robustos. O episódio aumenta a pressão sobre Vorcaro e sobre quem eventualmente dependeria de suas declarações para reduzir responsabilizações.