A Polícia Federal afirma, em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro deu orientações sobre a forma de gerir recursos enviados por Daniel Vorcaro aos Estados Unidos relacionados à produção do filme Dark Horse. Segundo os investigadores, há registro de uma conversa atribuída a Eduardo na qual são sugeridos mecanismos para movimentação dos valores em solo norte-americano e referência à disponibilidade de um terceiro ligado ao projeto.

O documento menciona um fundo de investimentos sediado no Texas como destino de parte das remessas e aponta um contrato que previa aportes na ordem de R$ 134 milhões — valor que a PF considera destoante dos custos normalmente observados em obras brasileiras de porte similar. A investigação também registrou coincidência entre o cronograma contratual e as transferências internacionais apontadas pelo Coaf, além de referências a pagamentos via comprovantes destinados ao fundo Havengate e tratativas envolvendo nomes como Paulo Calixto e Altieres Santana.

Os investigadores relatam ainda cobranças atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro por liberação de recursos e menções a encontros pessoais com Vorcaro. A PF sustenta que o conjunto de elementos justifica a instauração do procedimento para esclarecer origem, trânsito, destinação e beneficiários finais dos valores. A representação levou à abertura de inquérito autorizada pelo ministro André Mendonça. A reportagem não obteve resposta do ex-deputado até a publicação.

Politicamente, o caso acende alerta para o núcleo político da família Bolsonaro ao associar comunicação direta sobre estrutura financeira às remessas detectadas. O relatório, se confirmado em diligências, pode ampliar desgaste e gerar pressão sobre aliados, além de elevar a demanda por transparência sobre o financiamento de projetos ligados a figuras públicas. Os próximos passos no STF e eventuais diligências da PF serão decisivos para transformar as suspeitas em medidas concretas ou arquivamento.