A Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal um relatório que, segundo investigadores, indica que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, encomendou um dossiê contra Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú. O documento relata que o pedido de levantamento foi direcionado a um ex-sócio ligado ao influenciador Léo Dias e que, além do executivo, houve interesse em informações sobre sua esposa, Camila Moretti.
Fontes do inquérito descrevem a ação como um pedido explícito de levantamento de informações sobre a vida profissional e pessoal de Maluhy, motivado, conforme anotações mencionadas no relatório, por incômodo com decisões ou posições do executivo. A investigação qualifica o episódio como ação de espionagem empresarial, na medida em que buscou dados para fins particulares contra um dirigente de instituição concorrente.
O caso expõe um episódio de disputa entre grupos do setor financeiro que ultrapassa o limite da concorrência comercial e levanta dúvidas sobre o uso de instrumentos privados de investigação para fins corporativos. Do ponto de vista político e institucional, a apreensão do relatório pelo STF amplia o escrutínio sobre práticas que, além de potencialmente criminais, trazem risco reputacional aos envolvidos e podem afetar a confiança no mercado bancário.
A tramitação no Supremo tende a determinar os próximos passos processuais e a intensidade do debate público. Para além de eventuais desdobramentos jurídicos, o episódio acende um alerta sobre a necessidade de transparência nas relações entre empresários influentes e instrumentos de informação privada — um tema com impacto direto na credibilidade das instituições financeiras e na confiança de investidores e reguladores.