A Polícia Federal anunciou nesta quarta-feira a suspensão das credenciais de um agente do Serviço de Imigração dos Estados Unidos (ICE) que atuava em Brasília. O diretor-geral Andrei Rodrigues afirmou que a medida segue o princípio da reciprocidade adotado após a Casa Branca comunicar, de forma verbal, a 'solicitação' para que o delegado federal Marcelo Ivo de Carvalho deixasse os EUA. Sem a autorização da PF, o agente norte-americano perde acesso a instalações e bancos de dados no Brasil.
Rodrigues disse que agiu com 'muito pesar' e que não houve expulsão de brasileiros no exterior, ao explicar que o delegado Carvalho teve o acesso ao sistema negado ao chegar ao trabalho, o que motivou seu retorno. A mudança na representação já vinha sendo preparada: na semana anterior, a PF nomeou a delegada Tatiana Torres para ocupar a vaga de oficial de ligação junto ao ICE. A cooperação entre as agências rendeu resultados operacionais, segundo a PF: 49 foragidos brasileiros foram presos e 55 imigrantes em situação irregular foram deportados no período de atuação.
O episódio expõe fragilidade nas comunicações diplomáticas. Palácio do Planalto e Itamaraty disseram não ter recebido notificação formal da Casa Branca, e a embaixada dos EUA em Brasília limitou-se a uma comunicação verbal. A ministra-conselheira Kimberly Kelly foi chamada ao Itamaraty para prestar esclarecimentos; o encarregado de negócios, Gabriel Escobar, está de férias, e o posto de embaixador permanece vago desde a chegada da atual administração americana.
Do ponto de vista político e institucional, a retirada das credenciais representa um sinal concreto de desgaste bilateral que pode repercutir na rotina de cooperação em segurança e imigração. A medida complica a narrativa oficial sobre normalidade nas relações e acende alerta para possíveis entraves operacionais, como restrições de acesso a bases de dados e atrasos em procedimentos de extradição ou investigação conjunta. Resta ao governo esclarecer os pontos em aberto sem sacrificar canais técnicos que produzem resultados práticos em combate ao crime transnacional.