A Polícia Federal identificou 74 ligações telefônicas e 5 horas e 30 minutos de conversas entre o senador Jaques Wagner (PT) e o empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. Esses registros constam no relatório que serviu de base para a operação batizada de Compliance Zero, documento que foi tornado público pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.
Segundo a PF, a dupla demonstrava preferência por ligações em vez de mensagens por aplicativo — um meio que facilita o acesso dos investigadores ao conteúdo das comunicações. O relatório também informa que Mendonça autorizou o monitoramento do celular do parlamentar após suspeitas de vazamentos relacionados ao caso. Há menção de que Wagner teria recebido imóvel avaliado em R$ 2,5 milhões para favorecer o Master, paralelo a alegações de pagamento a Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.
Em entrevista à Rádio Baiana FM, Wagner afirmou ter "certeza de que vai provar sua inocência" e disse estar "focado nas eleições". A publicação do relatório e o detalhe das conversas, porém, acendem alerta sobre o custo político do episódio: o monitoramento autorizado por um ministro do STF expõe o senador a escrutínio público e amplia desgaste em plena temporada eleitoral.
Além do impacto imediato sobre sua agenda, o episódio complica a narrativa oficial de inocência e demanda respostas objetivas da defesa. A divulgação ampla dos registros transforma evidências técnicas em elemento político: a disputa deixa de ser apenas judicial e passa a ter efeito direto sobre percepção pública, pressão sobre aliados e a estratégia da campanha.