A Polícia Federal abriu investigação sobre a suspeita de que aliados do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) tenham utilizado uma escritura de compra e venda de imóvel para justificar a origem de R$ 470 mil em espécie encontrados na residência do parlamentar, em dezembro de 2025. As informações constam de uma representação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF).

No documento levado ao STF, os investigadores afirmam que há indícios de que os documentos relacionados à transação imobiliária teriam sido produzidos com o objetivo de explicar a origem do dinheiro. Ao mesmo tempo, ressaltam que, até o momento, não existem elementos suficientes para comprovar a procedência dos recursos. A representação detalha duas frentes de apuração, sem, porém, apontar conclusão definitiva.

Mesmo sem prova final, o caso tem potencial político: acusações relativas a justificativas documentais para valores em espécie costumam ampliar desgaste sobre parlamentares e partidos. Para o PL, a investigação cria risco de desgaste político e exige resposta rápida do gabinete, enquanto a oposição tende a explorar o episódio como sinal de desgaste e falta de transparência.

O material está agora sob avaliação do STF, que poderá determinar diligências adicionais ou medidas cautelares. Do ponto de vista institucional, o desfecho dependerá da capacidade da PF em reunir provas que conectem efetivamente os recursos à origem alegada na escritura — algo que, segundo os próprios investigadores, ainda não foi alcançado.