Um relatório sigiloso da Polícia Federal, enviado ao Supremo Tribunal Federal há sete meses, descreve suspeitas sobre repasses de pelo menos R$35 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro ao FIB Arleen, fundo que teria ligação com imóveis da família do ministro Dias Toffoli. O documento, produzido com base no conteúdo apreendido no celular de um empresário no fim de 2025, registra também a transferência de ativos do fundo para uma holding nas Ilhas Virgens Britânicas.
Segundo a PF, a estrutura do Arleen sofreu alterações formais: o controle foi transferido para Alberto Leite — identificado no relatório como próximo ao ministro — e o regulamento foi modificado para permitir aplicações no exterior. Parte dos recursos foi destinada à holding Egide I, em operações que atraem atenção por envolverem valores e destinos offshore. Os investigadores afirmam ter encontrado elementos que insinuam a possibilidade de Toffoli ser beneficiário de fato, mas ressaltam que o caso demanda aprofundamento analítico.
A cronologia mapeada concentra movimentos em 2025 e traz mensagens que mostram preocupação dos operadores com atrasos nas transferências. Vorcaro chegou a acionar interlocutores, entre eles o ex-ministro Fábio Faria, e a procurar diretamente o magistrado para destravar recursos. Em paralelo, o relatório registra tentativa de atuação do banco para influir na pauta de julgamentos que interessavam ao seu portfólio.
A PF também relaciona uma segunda vertente: possível interferência nos julgamentos sobre precatórios que afetariam ativos do Banco Master, que mantinha uma carteira bilionária. Investigações apontam que, em casos semelhantes, houve mudança temporária de posição do ministro, fato que gerou apreensão entre executivos do banco na véspera de sessões decisivas. Embora o relatório não conclua culpabilidade, os indícios descritos elevam o custo político e institucional do episódio, exigem esclarecimento público e colocam pressão por uma apuração técnica e célere no STF.