O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, confirmou nesta quarta-feira a suspensão da credencial diplomática de um agente de imigração dos Estados Unidos lotado na sede da corporação em Brasília. A medida, informou Rodrigues à imprensa, foi adotada com base no princípio da reciprocidade depois que o governo americano determinou, em 20 de abril, a saída do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho de solo norte-americano.
Com a suspensão, o servidor estadunidense perde o acesso físico às dependências da PF e a bases de dados compartilhadas que viabilizam investigações e trocas de informação entre os dois países. Rodrigues evitou qualificar o episódio como expulsão e disse que a intenção foi replicar a decisão tomada contra o delegado no exterior, não retirar o agente do país; ainda assim, o efeito prático é de restrição operacional imediata.
A ação marca uma escalada diplomática que pode ter custo político e operacional. Fontes oficiais dos EUA, por meio de um escritório regional, alegaram que uma autoridade brasileira teria tentado contornar pedidos formais de extradição — afirmação feita sem identificação nominal. Do ponto de vista da PF, a presença de delegados brasileiros no exterior se sustenta em acordos multilaterais que permitem cooperação e atuação transnacional, mas a recíproca agora mostra limites claros.
O incidente se insere na sequência da prisão, em 13 de abril, do ex-deputado Alexandre Ramagem em Orlando e sua posterior liberação para aguardar processo de asilo. A detenção reacendeu atritos e funcionou como gatilho imediato para a troca de medidas. A retaliação por meio de credenciais expõe um dilema: proteger prerrogativas institucionais e responder a ingerências estrangeiras, ao mesmo tempo em que se preserva a fluidez de canais críticos de investigação que dependem de confiança mútua.