A decisão do ministro André Mendonça que autorizou a oitava fase da Operação Compliance Zero descreve um relacionamento próximo entre o ex-governador Cláudio Castro e o banqueiro Daniel Vorcaro, que para a Polícia Federal e o Ministério Público Federal teria sido determinante para a liberação de aportes do Rioprevidência. Segundo o relatório enviado ao Supremo, encontros reservados, viagens internacionais custeadas pelo banqueiro e interlocuções com integrantes da cúpula do governo do Rio antecederam decisões que favoreceram o Banco Master.

A investigação aponta para aplicações de aproximadamente R$3,69 bilhões realizadas entre outubro de 2023 e outubro de 2025 em Letras Financeiras e fundos vinculados ao Master. Os investigadores sustentam que parte das operações avançou mesmo diante de manifestações técnicas contrárias e alertas sobre riscos, e que alterações na direção do Rioprevidência, pouco antes dos aportes, teriam facilitado a aprovação dos negócios. Mensagens extraídas do celular de Vorcaro e depoimentos de intermediários reforçam a existência de um alinhamento político que teria orientado as decisões.

Foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal por determinação do STF. O relatório cita ainda o empresário Ricardo Siqueira Rodrigues como operador da aproximação entre o banco e agentes públicos. Esta é a segunda ofensiva da PF no mês contra o círculo do ex-governador: em 15 de maio, buscas miraram a residência de Castro e alvos ligados ao grupo Refit, como o empresário Ricardo Magro.

Do ponto de vista político e institucional, os indícios descritos no relatório ampliam o desgaste em torno de decisões sobre gestão de recursos públicos e alertam para o custo reputacional de episódios que misturam relações pessoais e alocação de ativos previdenciários. A investigação ainda está em curso; as medidas autorizadas pelo STF visam preservar provas e aprofundar a apuração sobre eventuais crimes financeiros envolvendo o fundo estadual.